
Retratos: nas fotografias antigas as recordações amorosas que Inez tem de suas duas filhas.
Já diz o poema do famoso escritor que “ser mãe é padecer no paraíso”. E talvez essa seja uma grande verdade. Afinal, ser mãe é ver uma parte de nós, talvez a mais preciosa, pulsar como um novo coração.
Sem sombra de dúvidas, ser mãe foi a maior e mais linda experiência que pude ter em minha vida. Um sonho de menina, que se tornou realidade quando eu já tinha 36 anos. Foram duas meninas lindas, muito planejadas e desejadas, minhas maiores alegrias. Acho que Deus foi generoso quando me escolheu para ser mãe delas.
A primeira, Tânia Maria, nasceu em 1981. Olhinho azul e cabelo escuro, muitos dizem que veio com todos os traços da minha família e realmente acho que ela, pequena, era muito parecida comigo quando criança. Chegou miudinha, ainda prematura, mas logo se transformou em uma gigante.

Arquivo Pessoal/Amor de mãe: Inez fala sobre a chegada de suas filhas e a perda de uma, um relato inspirador sobre a maternidade.
A segunda, a Marta, veio quatro anos depois, em 1986. Apressada como só ela, quase nem esperou que eu chegasse na maternidade. Loirinha do olho claro, as comparações logo foram feitas com a “cara do papai”.
As duas cresceram sempre juntas, dividiam tudo. Quarto, brinquedos, bicicleta e não se desgrudavam nem pra ir à escola ou na hora da catequese, mesmo quando Marta, que nem sabia escrever, estava lá rabiscando sabe-se lá o que enquanto Tânia ouvia os ensinamentos do catequista. Tenho esses cadernos guardados e vez ou outra sorrio muito quando vejo o que elas deixaram registrado por lá…
E foi assim por oito anos, paixão por animais, pelas coisas do sítio e um bem-querer pelo outro, um cuidado com o outro que era só delas. Nós orgulhosos, porque as pessoas sempre elogiavam muito isso, a educação e comportamento que elas tinham. Eram queridas na escola, pelos amigos e pela família. Para opa e oma, nono e nona, papi e mama, então, nem se fala!
Mas, nossa vida teve uma reviravolta em 1994, para ser mais precisa em agosto de 1994. Difícil esquecer e ainda mais duro relembrar. Acho que um de nossos anjos era puro demais para esse mundo e Deus precisava dela lá em cima, pra ajudar a cuidar da gente. Nenhuma mãe espera por isso e no meu caso não tive muito tempo para assimilar as dores. Em um dia a deixei no hospital sorrindo e no outro fui buscá-la para colocá-la em um caixão.
Tânia foi vítima de uma meningite meningocócica. Rápida e sorrateira, tirou nossa menina aos 12 anos de idade e em menos de 24 horas. Era pra ser, sua missão em outro plano talvez ainda fosse maior. Mas como mãe, descobri a pior das dores. Não é a ordem das coisas e por um momento você duvida até de Deus.
Tive que dizer adeus a uma parte de mim. Mas o mais cruel ainda estava por vir. Com os dias, o vazio e a dor só aumentava e as noites pareciam que nunca teriam fim. O cheiro vai se perdendo e o barulho da voz que se calou parecia que ainda ecoava pelos cantos. Algo me faltava e eu sabia que não voltaria mais para casa. Todos sentiram muito a sua falta. Os avós, eu, meu marido, grande companheiro, e a Marta, que tinha só oito anos quando tudo isso aconteceu, e mesmo sem saber explicar, entendeu muito bem o sinônimo da palavra despedida.
Por isso, eu precisava ser forte, eu ainda era mãe. Acho que foi a Tânia quem me deu forças para seguir e é ela quem me ilumina, de onde está, até hoje. E foi a Marta quem trouxe novamente o brilho para minha vida. Um filho não substitui o outro, mas são os nossos pedacinhos que nos complementam.
Sempre me orgulhei muito de cada uma e meu coração se enche de amor quando falo delas. Verdadeiramente sou uma mulher de sorte. Cada uma ao seu jeito, me fez mãe e me tornou uma mulher completa. E isso é motivo de muito orgulho e gratidão.
Ser mãe foi, de longe, a maior e melhor experiência da minha vida. E outras mamães, com certeza, concordarão comigo: vale muitíssimo a pena! Afinal, como está escrito em um cartão que recebi de minhas meninas em 1991 ser mãe “é ser presença amiga com o amor de sempre, pelos exemplos ensinados e compreensão, assumir o valor da vida”…
Feliz Dia das Mães de uma mãe para outra!
Inez Rocha
Imagens

Foto: Marta Rocha
Retratos: nas fotografias antigas as recordações amorosas que Inez tem de suas duas filhas.
Foto: Arquivo Pessoal
Amor de mãe: Inez fala sobre a chegada de suas filhas e a perda de uma, um relato inspirador sobre a maternidade.
Foto: Marta Rocha
Retratos: nas fotografias antigas as recordações amorosas que Inez tem de suas duas filhas.
































