
Sr. Osvaldo Hornburg no processo de torrar o café na ?Kaffatrummel?. Foto: Michel Gustmann
Ao longo da história os costumes vão se moldando e se adaptam conforme as condições que encontram, com os imigrantes Pomeranos não foi diferente. Chegando em terras brasileiras a batata foi substituída pelo aipim/mandioca, a banana se apresentou como opção para a pera e a maçã, o milho e o cará substituíram o trigo e cereais para o pão diário e a aguardente de batata, por exemplo, foi substituído pela de cana. Certamente os imigrantes sentiam falta dos alimentos que consumiam na Europa, mas o que aqui encontraram foi o necessário para sobreviverem e adaptarem seus hábitos alimentares. Os trópicos também revelaram atraentes plantas e ingredientes que logo foram incorporados na rotina com certa facilidade, o café foi um deles. Contaremos um pouco da história da família Hornburg que até os dias atuais produz seu próprio café. O caminho se desenha ao longo da histórica Rota do Enxaimel no bairro de Testo Alto onde casas centenárias resistem aos tempos modernos. Já próximos da casa da família Hornburg a sinuosa estrada de terra, a conservada casa enxaimel com seu jardim florido, a casinha para defumar os embutidos, os ranchos e as pastagens são um sinal de que chegamos num verdadeiro reduto Pomerano. O objetivo estava centrado em acompanhar o beneficiamento do café produzido pela família, mas o encontro virou uma grande roda de conversa na língua Pomerana/Plattdütsch com a presença das famílias Strelow, Ehlert, Rahn, Steinert, Klemann, Mueller, Ulrich, Weege, Warmling, Bolduan, Gustmann, Santos, Zibell, Siewert, Lueders, Werling e Raduenz. O casal Osvaldo e Raulina Hornburg e suas filhas conduziram todos os preparativos para a demonstração do processo de produção artesanal do café. Sr. Osvaldo Hornburg é que colhe os grãos, deixa secar, prepara e torra cuidadosamente. Tudo começa na escolha de bons grãos explica Sr. Hornburg: “Os grãos precisam ser colhidos (Kaffee pflücken) enquanto estiverem vermelhos ou amarelos (existem dois tipos de café na propriedade), depois é necessário colocar o café para secar por um tempo num lugar bem arejado (o sótão geralmente é uma opção)”. Posteriormente deve ser descascado e segue para o processo da torração. No fogo baixo entre alguns tijolos Sr. Hornburg gira o pequeno cilindro de ferro mais conhecido como Kaffatrummel na língua Pomerana/Platt (Torrador de café também denominado de Kaffeetrommel em alemão). Sempre na mesma direção e com bastante paciência gira a Kaffatrummel por aproximadamente meia hora, nesse tempo adiciona um pouco de açúcar e também chacoalha algumas vezes na fase final para ver se está no ponto, no torrador há um pequeno orifício onde Sr. Hornburg observa se o café já está torrado no ponto certo. Nesse instante um agradável aroma toma conta da casa, e muitos relembram de momentos de sua infância quando a Oma chamava: “Koom Kaffa drinka”, afinal, em quase todas as casas de família Pomerana havia uma pequena plantação de café (Kaffeebäume) para consumo próprio (geralmente os pés de café eram plantados debaixo de árvores maiores para que não fossem afetados pelas geadas). Aliás, numa referência ao café servido pelos senhores feudais aos camponeses na antiga Pomerânia, o livro Descobrindo Raízes de 1996 menciona que era servido quente e composto por uma mistura de centeio e chicória tostados. Com certeza o verdadeiro café que o imigrante encontrou aqui, se revelou muito mais saboroso. Sr. Hornburg relata que aprendeu com sua sogra todo o segredo de fazer um bom café. Destaca que é preciso saber a hora que os grãos estão prontos para retirar, explica que o segredo é quando o café começa a fazer um barulho “tipo pipoca”, isso quer dizer que ele está pronto e pode ser retirado do torrador. Em seguida, o café é colocado numa bacia onde aguarda esfriar, para na sequência, ser moído. A produção na propriedade da família Hornburg é pequena e destinada para o consumo próprio, mas a excelente qualidade do grão aliada a secular técnica de beneficiar o café, já rendeu uma premiação. Segundo a “Revista Saudade do que?” na edição nº 14 de fevereiro de 2015 uma indústria da cidade de Brusque em Santa Catarina organizou uma degustação entre produtores de café, e o da família Hornburg foi escolhido como o melhor café colonial da região. O café assim como vários outros alimentos e bebidas que foram encontrados em terras tropicais se tornaram vitais para os imigrantes recomeçarem suas vidas. Pode-se afirmar que o imigrante trouxe vários costumes que aqui foram adaptados e hoje a cidade de Pomerode apresenta notório destaque na gastronomia como resultado dessa profusão.
Imagens

Sr. Osvaldo Hornburg no processo de torrar o café na ?Kaffatrummel?. Foto: Michel Gustmann
Famílias que estavam presentes no encontro. Em destaque a bandeira da Pomerânia. Foto: Michel Gustmann
A “Kaffatrummel”, uma espécie de cilindro de ferro usado para torrar o café. Foto: Michel Gustmann
O café após ser torrado permanece na bacia para esfriar e na sequência ser moído. Foto: Genemir Raduenz
As famílias que estavam presentes no encontro puderam se deliciar com uma farta mesa organizada pelos Hornburg, e claro, desfrutar do delicioso café feito na hora. Foto: Edson Klemann




















