A perda precoce do seu companheiro, fez Maike Wachholz encontrar forças para criar suas filhas sozinha

Laço eterno: Com as filhas já crescidas, Maike se emociona ao poder compartilhar todos os momentos ao lado delas.
Ano de 1999: Uma linda moça de 21 anos em um ótimo relacionamento buscava realizar o sonho de ser mãe. Maike Wachholz acordou uma certa manhã e como de costume, preparou o seu café da manhã. “Fiz um pão com presunto e queijo, e comi com muita vontade. Em seguida veio a surpresa, eu passei mal e logo me questionei se não estava grávida. Não perdi tempo e fui fazer o teste sem meu marido saber. Eis que, a resposta foi um grande positivo”, relembra Maike.
Como o marido na época trabalhava no horário comercial, Maike esperou até às 13h e levou o teste para ele na empresa. “A felicidade foi enorme e uma mistura de sorrisos e lágrimas. Daí em diante fomos programando nossa vida até sabermos o sexo do bebê. Após três meses chegou outra surpresa: era menina, a nossa doce Daniele Caroline. Mais seis meses se passaram e Daniele nasceu às 1h23min do dia 2 de abril de 2000. “Ela trouxe com ela o melhor e maior sentimento do universo, me fez mãe”, fala Maike, emocionada.
À medida que a pequena Dani crescia, junto do casal crescia também o amor enorme da família que os fortaleceu ainda mais. O tempo passou e quando Daniele estava com quatro anos de idade, decidiram ter mais um filho. “Ao contrário da primeira gravidez, entre planejar e eu engravidar de fato, foi muito rápido. Eu estava com 25 anos quando descobri a segunda gestação, era dezembro e eu estava comendo marisco na praia, novamente desconfiei pelo mesmo sintoma. Passei mal. E não deu outra, fizemos o teste e a gravidez foi constatada”, comenta a mãe.
Porém se depararam com um pequeno desafio. Daniele queria uma irmãzinha e não um irmão. “Eu lembro que falávamos muito com ela a respeito, que não teríamos como escolher o sexo do bebê, até brincávamos dizendo que tínhamos que aceitar o sexo que estivesse na fila do Papai do Céu”, relembra Maike em meio de risadas. Mas a intuição de mãe falava alto e dizia que seria novamente uma menininha, que inclusive já tinha até nome. “Nem pensei em nome de menino, porque tinha certeza que seria a nossa pequena Michele Alana. E foi assim, a bebê irmã que a Dani tanto queria para brincar de boneca nasceu dia 1 de setembro de 2005 às 23h47min, e foi apelidada de Mimi por todos”, relata Maike.

Arquivo pessoal/Passado: Maike junto de Daniele e Michele, quando crianças.
As meninas foram crescendo e na medida do possível, tendo uma vida digna tão sonhada pelos pais. “Todos os nossos sonhos sempre envolviam as meninas, nada fazíamos sem pensar nelas, no bem estar e no futuro delas”, relata a mãe.
Em abril de 2007, os sonhos da família foram interrompidos. “Nunca imaginei passar por algo assim. Eu sabia que todos tem um tempo na Terra, afinal somos humanos, mas que isso não aconteceria comigo e jamais tão cedo”, diz Maike, pesarosa. Seu marido sofrera um acidente de moto que resultou na perda precoce de sua vida. “A morte do pai delas tirou meu chão, meu ar, minha vida…Vida essa que a partir daquele momento, vivo pelas minhas filhas” comenta, emocionada.
Maike sofreu, e confessa que seu primeiro pensamento foi de não querer viver mais e não ver elas sofrendo. “Deus na sua infinita bondade me deu o dom de ser mãe e pai ao mesmo tempo. Se me perguntar como fiz isso vou dizer que não sei. É coisa de Deus mesmo”, confessa. A sua preocupação sempre foi estar forte para Daniele e Michele, que sofreram muito com a perda do pai e ela nos conta sobre esse momento. “As duas sentiram muito, sem sombra de dúvida. A Dani tinha sete anos e a Mimi tinha dois. Elas pediam muito pelo pai. Algumas pessoas até me disseram para não contar para as duas o que tinha acontecido, era pra eu dizer que ele tinha ido viajar e que um dia ele voltaria. Como eu iria passar por isso? A Dani sempre foi meu porto seguro, tanto que com o ocorrido, ela se tornou adulta muitos anos antes tempo. A Mimi, ah a Mimi! Ela saía do meu colo apenas para dormir e tomar banho. Um detalhe: amamentei a Michele até quando ela completou um ano e seis meses, depois da perda do pai ela voltou a mamar até os três anos e oito meses”.
Logo após a morte do marido, Maike foi morar com as filhas na casa dos seus pais, que ficava ao lado, em busca de apoio. “Lá me acomodei por um tempo me sentindo segura e protegida. Aí em um belo sábado de manhã, fui na minha casa para abrir as janelas e portas, para que o sol pudesse entrar e arejar a casa, quando eu estava voltando para a casa do meu pai, ele me encontrou no caminho e disse que eu precisava voltar a caminhar a seguir minha vida lá, pelas minhas filhas. Parece que foi um anjo enviado para me fazer acordar desse pesadelo, as palavras dele foram tudo pra mim”, diz emocionada.
Sacudiu a poeira e voltou para a casa onde morava com o falecido esposo e as filhas. “Tentei voltar a viver”, exclama. Todos os seus dias tinham um único motivo maior. “Era tudo por elas sempre. Meu maior medo era alguém tirar as meninas de mim. Foi o que eu pensava, afinal, era só eu e elas e eu não trabalhava, morria de medo de perdê-las. Minha vida era em função delas e mais nada”, diz.
As dificuldades e desafios foram sendo vencidos, dia após dia. “Foram incontáveis as vezes que elas não queriam ir para a escola porque teria homenagem para os pais. Eu explicava que estava tudo bem e que eu iria. Até que um dia eu recebi um cartão das duas dizendo: Mãe, você é a melhor “mãe pai” do mundo. Isso me deu ainda mais forças pra continuar lutando por elas”, comenta Maike, emocionada.
Hoje, 12 anos após a perda, a mãe das meninas diz com muito amor. “Tenho muito orgulho de ser mãe da Dani e da Mimi. Posso dizer com toda certeza que além de mãe e filhas, somos amigas. São minhas preciosidades e se eu pudesse voltar no tempo, confesso que faria tudo de novo por elas, sem sombra de dúvida”.
Falar sobre o que representa ser mãe para a Maike lhe traz grande emoção. “Minhas filhas representam o meu eu. Sem elas não viveria e ser mãe é a melhor coisa que podia ter acontecido na minha vida. É um amor incondicional, imensurável e inexplicável. Pelas minhas filhas vou até o fim do mundo e volto em um segundo”, comenta.
E depois de voltar as lembranças do passado – que deixou saudades – e ser grata por tudo apesar da luta, a guerreira Maike agradece ainda mais por todo o amor e companheirismo que ela tem atualmente ao lado das filhas e de seu atual companheiro, Ronaldo. “Hoje nossa família é feliz demais, além de padrasto elas têm um amigo”, relata.
“Quando fiquei sozinha com elas as pessoas perguntavam como eu faria para criar elas. Eu simplesmente respondia que não sabia, mas que Deus iria me ajudar. Hoje elas estão lindas, saudáveis e sobretudo, tornaram-se meninas de bem. Aprenderam o que é amar e sabem do que sou capaz por elas. Uma coisa que eu sempre digo é que a minha cama tem um buraco, de tanto que sentamos para conversar. Quero ser a melhor amiga e ouvinte delas para sempre”, finaliza.
Imagens

Foto: Arquivo pessoal
Laço eterno: Com as filhas já crescidas, Maike se emociona ao poder compartilhar todos os momentos ao lado delas.
Foto: Arquivo pessoal
Passado: Maike junto de Daniele e Michele, quando crianças.
































