Pão com banha: uma herança da Pomerânia

Foto: Livro Das Alte Pommern
Pomeranos dos Kreis de Neustettin (1938) realizando o abate de um porco em sua casa. Em Pomerode essa prática era bastante comum.

A Pomerânia também se destacava na criação de animais, afinal, a carne e seus derivados eram uma importante fonte de alimentação. Neste cenário, o porco merece destaque. Para se ter uma ideia, no ano de 1816 já haviam 137.664 porcos na Pomerânia, perto de um século depois no ano de 1912, foram apurados 1.178.036 porcos, quase dez vezes mais suínos (um dos maiores crescimentos entre os animais domésticos). Significa que o porco era presença constante nas vilas e nos pátios das casas feudais. No documentário “Als der Osten noch Heimat war – Pommern”, Irma Pliquet, que hoje mora na Alemanha, lembra da sua infância na Pomerânia, quando sua mãe todos os anos criava três porcos, um era abatido para o Natal, outro era comercializado/escambo e o terceiro era abatido no inverno, para abastecer com carne e banha a estação fria. No Brasil, em Pomerode e região, não era diferente. As famílias nas suas propriedades de policultura de subsistência criavam galinhas, vacas, cavalos, e a forte presença dos porcos, uma rica fonte de carne e banha. Ao longo do tempo, a medida que o colono ganhava mais produtividade e gerava excedentes, surgia uma rudimentar e caseira indústria de transformação. Alguns imigrantes, ou seus filhos, iniciavam as denominadas “vendas”, estabelecimentos que vendiam ou trocavam produtos que o colono não produzia, como sal, trigo, fósforo, querosene, ferramentas agrícolas e sementes. Por sua vez, o colono usava o excedente de seus suínos como moeda de troca com os comerciantes. Na “venda”, geralmente havia associado um açougue onde se fazia o abate dos porcos criados pelos colonos, os quais geravam um crédito para que trocassem por produtos que necessitavam. O porco e os outros animais foram durante muito tempo um poderoso e conveniente instrumento para o escambo. Um aspecto interessante é que o valor do porco estava na banha que ele proporcionava, e o porco preto se destacava com essa característica. Com o aumento gradativo dos excedentes de suínos dos colonos, toda a região do Vale do Itajaí foi se consolidando como uma referência na produção e comercialização de banha, “exportando-a” além das fronteiras. Em Pomerode, muitas destas pequenas casa comerciais foram crescendo e participaram desse desenvolvimento: a Indústria e Comércio Weege (fundada por Hermann Weege em 1901), a Haut Companhia Ltda (fundada em 1903 por Georg Haut), a Casa Comercial Pasold (fundada por Heinrich Passold em 1928), a tradicional “venda” de Hermann Koch (fundada por volta de 1930), a Indústria Zinnke (anteriormente pertencente à Lauro Guenther), a Big Frios (fundada pela família Storch) e muita outras. Todas essa empresas foram percursoras na produção de muitos alimentos que hoje fazem parte da identidade gastronômica da cidade, como a geleia de porco (Sülze), a tão famosa Linguiça Blumenau (Wurst), o torresmo prensado (Kriefen), a morcilha, entre outros. A suinocultura exerceu relevante pape no desenvolvimento econômico de nossa cidade e, sem dúvida, moldou os hábitos alimentares dos pomerodenses. Quem nunca ouviu relatos de seus avós de que antigamente comiam “pão com banha” (fett-brot)?

Imagens

Proibido reproduzir esse conteúdo sem a devida citação da fonte jornalística.

Receba notícias direto no seu celular, através dos nossos grupos. Escolha a sua opção:

WhatsApp

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui