Saboroso na mesa e rentável no bolso

Lore e Rubens Gaulke mantêm primeiro abatedouro de tilápias e já fomentam o crescimento da piscicultura no município

Foto: Matheus Kurth
Qualidade e profissionalismo: cada parte do processo de beneficiamento dos filés de tilápias são acompanhados pelo casal, que já planeja a expansão do negócio.

A piscicultura não estava nos planos de aposentadoria de Lore Gaulke. Ela trabalhou por 34 anos no comércio do município e, apesar de ter nascido na propriedade rural da família localizada no Rega III, não imaginava que a lagoa no meio da pastagem seria o pontapé inicial de um negócio inédito no município. “Quando me aposentei eu procurava por atividades que eu pudesse desenvolver em casa e preencher meu tempo livre. Há muitos anos nós mantínhamos uma lagoa de peixes, mas a produção era vendida toda para um pesque-pague. Eu nunca imaginei que a minha aposentadoria seria dessa forma, há alguns anos, isso nem em sonhos passava pela minha cabeça”, recorda sorridente.

Foi a saída de Rubens, marido de Lore, do emprego, a ajudinha que faltava para que juntos buscassem por alternativas de atividades que poderiam ser desenvolvidas na propriedade. “No começo não tínhamos nem ideia do que fazer. Acho que o essencial foram as muitas pesquisas, também estudamos muito e tivemos muito apoio da consultoria técnica e de um dos nossos colaboradores, o Adriano, para chegar o projeto que saiu do papel em 2018, o primeiro abatedouro de peixes de Pomerode”.

Carinhosamente batizado de Gaulkes Fisch, o entreposto de tilápias foi construído para atender todas as exigências técnicas e sanitárias, uma planta piloto que, em menos de um ano, serve de inspiração para outros empreendedores rurais. “Também não podemos deixar de citar o suporte da secretaria de Desenvolvimento Rural e da Epagri. Trabalhamos todas as fases de implantação do projeto com foco no que tínhamos planejado, um trabalho com dedicação e muito cuidado com a questão de limpeza. Já conquistamos todas as certificação necessárias”, reforça Rubens.

Matheus Kurth /Negócios para além da aposentadoria: o entreposto de peixes não estava nos planos de Lore e Rubens Gaulke, mas hoje é o projeto de vida da família.

O produto de qualidade já caiu no paladar dos apreciadores da iguaria e conquistou vários restaurantes e lanchonetes da região, clientes fiéis, que fazem questão de buscar o peixe na Gaulkes Fisch. Cerca de 1200kg do peixe são beneficiados mensalmente e a expansão na produção prontamente beneficiou outros pequenos piscicultores, que passaram a ser fornecedores da matéria-prima para o abatedouro.

“Nossa criação de peixes foi suficiente apenas para atender a demanda dos primeiros três meses do entreposto em funcionamento. Desde então, compramos muitos quilos de peixe vivo de outros pequenos criadores aqui da região. E estamos muito felizes porque é um incentivo para que eles também consigam um preço mais justo pelo suor do seu trabalho”, reitera Lore.

Grande parte do que é beneficiado pela Gaulkes Fisch ainda é para atender a demanda local, mas alguns clientes, pessoas físicas de outras cidades, também já compraram o peixe congelado. O casal já planeja o crescimento e pretende agora buscar mais clientes. “Agora trabalhamos para atender também a merenda escolar, é um nicho em expansão”.

Matheus Kurth /Gaulkes Fisch: cerca de 1200kg são beneficiados mensalmente no primeiro abatedouro de tilápias certificado do município.

Entre os entraves para a expansão do negócio estão a oscilação de preço e a clandestinidade. “A variação expressiva no preço da ração de peixes faz muitos criadores abandonarem a atividade e isso afeta a oferta pelo produto e a nossa precificação para o consumidor. Outro grande desafio para nós são os abatedouros ilegais, porque a comparação de preço é inevitável, mesmo quando reforçamos que a certificação, inspeção e rotulagem tudo dentro dos padrões, garantem a qualidade do que o consumidor leva para a mesa”, explica Lore.

O casal dedica em média oito horas diárias para atividade e contam ainda com a ajuda de colaboradores terceirizados para o dia do abate, que ocorre uma vez por semana. Após todo o trabalho de filetagem e revisão de todos os cortes, para garantir que não tenham ficado espinhas, os filés de tilápia são embalados em pacotes de um, dois, três ou cinco quilos, todos eles soltinhos para facilitar a manipulação do consumidor.

Outra diferença do peixe beneficiado na empresa é que ele não é glaciado, ou seja, não recebe o banho de água antes do congelamento. “Os filés são todos congelados a seco para depois serem embalados. Claro, quando você descongela, vai soltar um pouquinho de água, mas não vai ter a perda do que produtos similares que são glaciados. A garantia de qualidade do início ao fim é o nosso objetivo”, afirma Lore.

Matheus Kurth /

Lore e Rubens revelam que o empreendimento já começa a ser lucrativo e que esperam recuperar os investimentos em um prazo de cinco anos. “O investimento foi alto, mas seguimos todas as normas e padronizações que nos foram solicitadas. Custou bem mais do imaginávamos incialmente, mas agora posso me orgulhar e dizer que deu certo”, conclui Lore.

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