Conheça Gariba, o goleiro que coleciona defesas brilhantes e muitas histórias para contar

Com carinho: Gariba exibe com orgulho o resultado de suas façanhas.
“Nós morávamos em Testo Salto e meus pais eram colonos, mas eu gostava muito de futebol”. Estas são as palavras de um amante do futebol que, apesar da vida simples, ostentava mesmo nos campos de futebol. Com seu talento de defesa inigualável, conquistou mais de 50 medalhas ao longo de sua carreira.
Hariwald Resner, mais conhecido como Gariba, veio de uma família de músicos. Seu pai e seu irmão tocavam instrumentos, mas o que encantou os ouvidos daquele menino não foi o som instrumental, mas sim, o da torcida. Em seus shows, vestia suas chuteiras e luvas para se apresentar e então entrava no seu palco, o campo de futebol.
Na época, Gariba começou treinando no Clube Desportivo Juventus, patrocinado pela Companhia Têxtil Karsten. Ao longo do dia trabalhava e durante a noite treinava. “Quando chegava aquela hora, eu pegava a chuteira, colocava no guidão da bicicleta e ia treinar” relembra feliz.
Gariba jogava como centroavante, mas foi Gerold Gruhs, treinador do juvenil, o responsável pela sua trajetória de goleiro. “Ele disse assim pra mim: – Gariba tu vai jogar de goleiro”. Certamente seu instinto de treinador já havia percebido o talento que carregava. Sua estreia como goleiro foi no ano de 1971, consagrada pelo Jota Batista Luiz, goleiro do Grêmio Esportivo Olímpico e campeão estadual em 1964, na época, técnico do Juventus. O goleiro responsável pelo jogo havia se machucado e foi aí que Jota Batista o convidou para jogar. “Eu nunca fui tímido e encarei”. Ele ainda completa: “eu tinha 14 anos e depois de lá eu não saí do Juventus até 1978”.

Arquivo pessoal /Em preto e branco: Uma de suas defesas que lhe renderam o apelido de ?Mão de Onça?.
Durante quatro anos seguidos, Gariba foi considerado o melhor goleiro da Liga Blumenau de Futebol de Campo. Neste período recebeu seu primeiro apelido, o famoso “Mão de Onça”, batizado por um locutor esportivo de Blumenau daquela época. Em 1974, iniciou uma nova aventura: jogou no Juventus Jaraguá, juntamente com seu colega Carlinhos Pinho. Ao Testo Notícias, Gariba comentou sobre as dificuldades que enfrentava todos os domingos para ir aos jogos, pois o meio de transporte mais acessível naquela época era um ônibus da Catarinense, mais conhecido como “correio”, responsável por transportar as correspondências de uma cidade à outra. “Jogávamos todos de graça, depois tinha uns patrocinadores, mas nunca recebemos salário, sempre fazíamos por gostar de jogar”. Em Jaraguá, conquistou o título no Futebol Amador da Região Norte do Estado, e com a volta para o Juventus de Pomerode, em 1976, ficaram campeões na primeira divisão de amadores.

Arquivo pessoal /Galeria de troféus: mais uma lembrança da vitoriosa relação entre Gariba e o Juventus.
Um dos momentos mais marcantes foi a sua participação no primeiro Campeonato de Futebol de Salão de Pomerode, disputado em 1982. Gariba conta que havia 18 times disputando o título, e com muita determinação conseguiram chegar até a final. Tati Tibati, time pelo qual jogava, enfrentou Pedrini Plásticos em um jogo emocionante que lotou o ginásio Ralf Knaesel.
Garibaldo, apelido carinhosamente dado por um companheiro de trabalho, foi inspirado em um programa de televisão da época. “Meu amigo disse: – ah eu não vou escrever mais Hariwald, ‘bota’ aqui Garibaldo – e de lá surgiu o apelido. Depois começaram a reduzir para Gariba”. Hoje seu hobby é pescar e assistir futebol, contudo, em momento algum deixou de incentivar esta cultura ao seu redor. “Nunca pensei em desistir ou largar o esporte”. Gariba também foi o primeiro vice-presidente e um dos fundadores da Associação Desportiva Pomerana Doutor Blumenau, em parceria com o Colégio Doutor Blumenau.
A paixão pelo esporte está no sangue e este amor passou de geração à geração. “Um dos meus filhos, o Badé, tem escolinhas de futebol, e meu neto de 14 anos já conquistou muitas medalhas em campeonatos”, conta orgulhoso. Uma vida repleta de emoções e histórias, que servem de inspiração, e serão deixadas como legado por este goleiro que, desde menino, escolheu o campo para brilhar.
































