Um coração que vibra pelo Vera Cruz

Malu comemora os 77 anos do clube com muitas histórias para relembrar


Uma vida de Vera: a residência de Malu tem vista privilegiada para o estádio do time de coração. Foto: Janaina Possamai

A história de um clube é construída pela paixão que desperta no coração de seus torcedores. Para o Vera Cruz Esporte Clube, legítimo filho da localidade de Testo Central, não foi diferente. Através da garra, da dedicação e do amor de muitos famosos e anônimos que o clube se tornou o mais longevo da história de Pomerode, completando 77 anos no dia 03 de maio de 2021.

Um desses personagens é Ilmar Marquardt, popularmente conhecido como Malu. Dos 60 anos de vida, ao menos 55 estão intimamente ligados à construção do legado do Vera Cruz. “Meu pai vivia o Vera Cruz, era garçom, cobrador de entrada e ajudava em tudo que podia. Minha mãe também contribuía na cozinha. Então, minhas primeiras lembranças com o time é de quando tinha cinco anos de idade e meu pai me levava junto, aos domingos de manhã, para limparmos o campo.”

A tarefa se fazia necessária porque, na época, o campo ficava ainda nos fundos do Ribeirão Souto e “não era roçado, esse trabalho era feito pelas vacas que pastavam por lá, pois não tinha alambrado e nem era cercado”, relembra.

Anos mais tarde, com a construção iniciada em 1968 e concluída em 1971, a sede do time passou ao espaço que ocupa atualmente, às margens da SC-421. “Junto com outras crianças, ajudei a plantar a grama do campo, muda por muda”, revela.

Foi com 12 anos de idade que Malu se tornou jogador do Vera Cruz, na categoria aspirante. Aos 16, já era titular na equipe principal e conquistou seu primeiro título, a Taça Pomerode. A paixão e dedicação como lateral esquerdo foi desempenhada até os 23 anos, quando sofreu uma grave lesão e precisou abandonar o gramado. “Foi muito difícil, tentei voltar, mas não consegui mais.”

Mas, quem imagina que o baque de ter de abandonar os campos afastou Malu do clube que tanto ama, está muito engando. A partir daí, ele passou a assumir outras funções, desde roupeiro, técnico, presidente até torcedor inveterado e apaixonado.

Dentre as várias histórias contadas por ele está o fato de que, por muito tempo, os jogos do clube eram transmitidos pela rádio local graças à linha telefônica cedida por Malu, que mora privilegiadamente ao lado do campo.

Ele ressalta que a trajetória do time é composta por altos e baixos, “muitos mais altos do que baixos, mas não podemos dizer que os momentos difíceis não aconteceram. Tivemos trocas de presidentes, momentos conturbados, dois anos de portões fechados após uma briga”, enfim, desafios a serem superados.

De todas as preciosidades contidas na história do Vera Cruz, Malu destaca o poder e comprometimento de sua torcida, composta principalmente por famílias. “Temos que reconhecer o papel de cada um na história do clube. Falo da torcida e também dos voluntários que fazem as mais variadas funções, desde a marcação do campo, a limpeza, a separação das bebidas no dia do jogo, enfim, cada um deles tem peso igual na construção da história do Vera Cruz”, destaca.

Uma das principais conquistas resultantes desse trabalho árduo e voluntário ganhou forma em maio de 1996, quando o Vera Cruz concretizou um objetivo muito desejado, a instalação da iluminação no campo.

Aos 60 anos de idade, Malu sente-se feliz em ver as novas gerações interessadas em levar adiante a bandeira do Vera. Um desses exemplos é o atual vice-presidente, Rodrigo Tripes, de 34 anos.

Rodrigo conta que muitos são os projetos em curso para fazer o Vera alçar voos ainda mais altos. O que permanece inalterado é o respeito a quem construiu essa história. “Há dois anos, lançamos um novo escudo do time, também fizemos um uniforme alternativo que tinha por objetivo contemplar os torcedores do Vera que são Flamenguistas e logo mais lançaremos o uniforme do time para a temporada 2021/2022. Em todos esses momentos, sempre consultamos o Malu e mostramos o resultado a ele”, conta.

Malu, por sua vez, celebra o interesse dos mais jovens e não tem problema em passar o manto adiante. “É importante que nós, que possuíamos a experiência, já passamos por todas as funções, comecemos a delegar esse papel aos jovens, que estão com mais fôlego para continuar uma coisa que os nossos antepassados tanto gostavam. Isso é importante para a continuidade do futebol amador”, finaliza. 

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