Estudantes de SC criam tecnologia inovadora que ajuda deficientes visuais a usar celular

Projeto une robótica, tecnologia e inclusão social

Desbloquear o celular, abrir um aplicativo ou enviar uma mensagem são ações automáticas para a maioria das pessoas. Para quem tem deficiência visual, porém, essas tarefas podem exigir esforço redobrado, já que as telas são lisas e as informações dependem quase exclusivamente de recursos de áudio.

Foi a partir dessa realidade que estudantes do Ensino Médio da Escola SESI de São José desenvolveram um projeto que alia tecnologia e empatia. Integrantes da equipe de robótica Interlagos, eles criaram telas táteis impressas em 3D que simulam a navegação em aplicativos de smartphone, ampliando a autonomia de pessoas com deficiência visual.

A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Associação Catarinense para Integração do Cego.

Sete modelos de telas simulam aplicativos populares

Ao todo, foram criados sete modelos de telas, incluindo a simulação da tela inicial do celular e de aplicativos como WhatsApp, Telefone e Uber.

Em vez de reproduzir ícones visuais detalhados, os estudantes optaram por formas geométricas simples, como círculos, quadrados e triângulos, que são mais facilmente identificados pelo toque.

As peças foram modeladas no software Onshape e produzidas em impressora 3D.

“Quando olhamos para algo que parece simples para nós, como usar um aplicativo, percebemos que pode ser um grande desafio para quem não enxerga. Por isso, decidimos transformar conhecimento técnico em impacto social”, afirma Beatriz Weber, aluna do 2º ano do Ensino Médio e gerente de Projeto Social da equipe Interlagos.

Tecnologia mais acessível e humana

Segundo o professor e técnico da equipe, Gabriel Gesser, durante a aplicação do projeto foi possível observar avanços significativos na compreensão espacial dos usuários.

De acordo com ele, os materiais ajudaram as pessoas atendidas a entender melhor a organização das telas e a se sentirem mais seguras ao utilizar o celular.

“Mais do que um recurso pedagógico, a iniciativa representa um avanço na construção de uma tecnologia mais acessível e humana”, destaca.

Construção coletiva foi diferencial

Para a professora de smartphone da ACIC, Tábata Duarte, o principal diferencial do projeto foi a escuta ativa e a construção conjunta da solução.

Ela lembra que há um lema amplamente difundido no movimento das pessoas com deficiência que resume essa importância: nada por nós sem nós. Ou seja, qualquer iniciativa precisa contar com a participação de quem irá utilizá-la.

Equipe é destaque em competição nacional

A equipe Interlagos participa da STEM Racing, antiga F1 in Schools, competição internacional que integra ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

No desafio, os estudantes atuam como uma miniempresa. Eles projetam e fabricam carros de Fórmula 1 em miniatura, desenvolvem estratégias de marketing e gestão e executam um projeto social.

No fim de 2025, a Interlagos conquistou o tricampeonato regional no Festival SESI de Robótica. Com o resultado, garantiu vaga para a etapa nacional da competição, que será realizada entre os dias 4 e 8 de março de 2026, em São Paulo.

Além de resultados nas pistas, o projeto social mostra que a robótica também pode ser ferramenta de inclusão e transformação social.

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