Faleceu nessa segunda-feira, dia 28, Padre Mário Bonatti, aos 93 anos. O sacerdote, professor, escritor e referência de fé, esperança e cultura humanista passou sua infância em Pomerode.
De acordo com a Comunidade Salesiana de Lorena (SP), Bonatti morreu em Campinas (SP), cidade onde morava nos últimos dois anos. A causa da morte não foi divulgada.
O corpo do Padre Mário foi velado em Lorena, na quadra do Colégio São Joaquim, e depois seguiu para o cemitério da cidade.

Trajetória
Nascido em 16 de novembro de 1931, entre Pomerode e Rio dos Cedros, Padre Mário construiu uma trajetória de vida marcada pela entrega ao sacerdócio, pela paixão pelo ensino e pelo compromisso com a promoção humana. Filho de Antônio Bonatti e Rosa Mattedi Bonatti, ingressou no Aspirantado em Ascurra (SC) em 1944 e, nos anos seguintes, formou-se no espírito salesiano, estudando em Lavrinhas, Pindamonhangaba e Lorena.
Depois, seguiu para Turim, na Itália, onde cursou Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Salesiana e foi ordenado sacerdote em 11 de fevereiro de 1961.
Com o lema “Para que todos tenham vida” (Jo 10, 10), Pe. Mário dedicou mais de seis décadas à missão educativa e pastoral. Foi professor universitário nas áreas de Antropologia Cultural, Filosofia e Linguística, atuando em instituições como o Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade de Coimbra.
Sua trajetória acadêmica foi marcada pelo profundo respeito às diferenças culturais, fruto de uma vida entre italianos católicos e alemães luteranos, e por seu olhar ecumênico e inclusivo sobre o ser humano.
Além da intensa atuação nas salas de aula e nos oratórios salesianos, Pe. Mário foi também um incansável promotor de ações sociais e comunitárias, especialmente junto às crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Em Lorena, tornou-se uma liderança inspiradora em projetos ligados à Pastoral do Oratório São Luiz e à Igreja Santa Edwiges, lugares onde evangelizou através da educação, da recreação e da convivência fraterna.
Autor de mais de uma dezena de livros, entre eles os aclamados “A Vida Tem a Cor que Você Pinta” e “Cristãos de Atitude”, Padre Mário compartilhou com milhares de leitores sua sabedoria sobre fé, humanidade, linguística, filosofia e história, sempre incentivando a prática do amor, da tolerância e do otimismo. Em sua autobiografia, “O que penso da vida, do mundo e de Deus: Lendo a vida do trem da minha história”, publicada pela Editora Canção Nova, ele revelou uma vida orientada pelo serviço ao próximo e pelo respeito universal: “O amor é sempre muito gratificante e só ele é o que dá sentido a uma vida. Ninguém vive para si”.
Membro fundador da Academia de Letras de Lorena, Pe. Mário deixa um legado que ultrapassa a história individual: ele moldou consciências, inspirou gerações e mostrou, com a vida e o exemplo, que a verdadeira grandeza está no amor concreto e no serviço discreto.

Imigração como plano de fundo
Em 2016, a história do sacerdote foi contada no livro “O que penso da vida, do mundo e de Deus: Lendo a vida do trem da minha história”, lançado pela Editora Canção Nova.
A obra fala da infância do sacerdote, em meio à família de imigrantes italianos em Pomerode, na década de 1930, dos anos de formação no seminário salesiano, os estudos e a ordenação em Turim (Itália), além de seus trabalhos como padre e educador.
Na segunda parte, o livro aprofunda os pensamentos de Bonatti, abordando questões como o respeito entre as diversas religiões e culturas, a linguística e o paralelo entre ciência e religião.
Saga Trentina
Em 2007, Padre Mário também foi um dos colaboradores do livro “As Primeiras Famílias Trentinas de Rio dos Cedros”, em parceria com o escritor e economista Mauro Lenzi. A obra condensa datas e nomes dos primeiros imigrantes, que tiveram que aprender a conviver com as peculiaridades do novo país. O livro descreve como foram os primeiros anos, de imensas dificuldades, como os imigrantes se adequaram à terra brasileira, como sobreviveram e prosperaram.
Em uma entrevista concedida na época do lançamento, Padre Mário disse: “Até agora o italiano se conservou nas famílias, por tradição, daqui para a frente ou ele se mantém pelo cuidado, pela educação, com capricho, ou ele pode desaparecer. Vai desaparecer se não se mantiver viva a cultura.”

Mensagens de pesar
O presidente da rede Canção Nova, Padre Wagner Ferreira, expressou, nessa terça-feira, 29, seu pesar pelo falecimento do sacerdote salesiano. “Em nome de toda a família Canção Nova, manifesto as nossas sinceras condolências aos familiares do Padre Mário Bonatti, aos salesianos, sobretudo de Lorena, e a todo o povo de Deus, a todos aqueles que nutriam afeto filial a esse grande sacerdote e pastor segundo o coração de Jesus.”
Já o comunicado do falecimento de Padre Mário publicado pela UNISAL, escrito pelo professor Diego Amaro de Almeida, reforça que a partida Mário Bonatti encherá a todos de saudade, mas seu testemunho continuará colorindo a vida de muitos, como ele mesmo ensinou: “A vida tem a cor que você pinta.”
*** Com informações da Canção Nova e Unisal.
































