Nova “regra do morango” impõe medição milimétrica; saiba o que você tem a ver com isso

Classificação por tamanho e critérios mais duros de qualidade elevam custos no campo e acendem alerta para alta de preços ao consumidor

A produção e comercialização de morangos no Brasil passam por uma mudança relevante com a adoção do novo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do produto, alinhado às normas do MERCOSUL. A medida estabelece critérios mais detalhados para classificação, padronização e rotulagem da fruta, impactando diretamente produtores, distribuidores e consumidores.

A nova regulamentação foi incorporada ao ordenamento brasileiro e define parâmetros técnicos que vão desde o tamanho do fruto até os limites de defeitos aceitáveis. O objetivo é garantir maior transparência, qualidade e segurança alimentar, além de harmonizar o comércio entre os países do bloco.

Como passam a ser classificados os morangos

A norma estabelece dois principais critérios de classificação: calibre (tamanho) e categoria (qualidade).

No caso do calibre, os morangos são divididos em três faixas, de acordo com o diâmetro:

  • menores que 20 mm
  • entre 20 mm e 30 mm
  • maiores que 30 mm

Já em relação à qualidade, a fruta é enquadrada em três categorias:

  • Extra (mais rigorosa)
  • Categoria I
  • Categoria II

Essa classificação depende da presença de defeitos, que agora são claramente definidos como graves (como podridão, imaturidade ou fruta passada) e leves (como deformações ou ausência de pedúnculo) .

Além disso, a norma estabelece limites máximos de tolerância para esses defeitos. Caso o lote ultrapasse esses limites, ele pode ser reclassificado ou até proibido para consumo in natura.

Mais exigências na embalagem e rotulagem

Outro ponto importante é a obrigatoriedade de informações mais detalhadas nas embalagens. Agora, os rótulos devem indicar:

  • calibre e categoria do produto
  • identificação do produtor ou embalador
  • origem e lote
  • data de acondicionamento

Também há regras específicas sobre acondicionamento, exigindo materiais adequados, limpos e que não contaminem o alimento.

Por que a nova regra gera dúvidas entre produtores

Apesar da intenção de padronização, produtores relatam dificuldades práticas na aplicação das novas exigências. A classificação detalhada exige mais controle no campo e na pós-colheita, além de maior custo operacional.

Um dos pontos levantados é que a natureza do cultivo não permite total uniformidade. Diferentemente de produtos industrializados, o morango é altamente sensível a fatores climáticos, o que pode dificultar o enquadramento rigoroso nas categorias estabelecidas.

Impacto no preço para o consumidor

As novas regras podem afetar o preço final do morango por alguns motivos principais:

1. Aumento de custos na produção
A necessidade de triagem mais criteriosa, padronização e rotulagem tende a elevar os custos logísticos e operacionais.

2. Maior descarte de frutas
Lotes que não se enquadrarem nos padrões podem ser rebaixados de categoria ou até excluídos do mercado in natura, reduzindo a oferta.

3. Valorização de produtos de maior qualidade
Morangos classificados como “Categoria Extra” ou “Categoria I” podem ganhar valor agregado, elevando os preços nas prateleiras.

4. Ajuste na oferta e demanda
Com mais rigor na classificação, parte da produção pode migrar para a indústria (geleias, polpas), diminuindo a disponibilidade para consumo direto.

Entre a padronização e a realidade do campo

A nova regulamentação busca trazer mais organização e transparência ao mercado, além de facilitar o comércio internacional. No entanto, sua implementação exige adaptação dos produtores e pode gerar impactos no curto prazo.

Para o consumidor, a mudança tende a significar produtos mais padronizados e com melhor rastreabilidade — mas possivelmente com preços mais altos, especialmente nas categorias superiores.

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