Ex-alunos da Escola Básica Municipal Olavo Bilac participaram da etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG), realizada na Barra do Piraí/Rio de Janeiro, de 02 a 05 de fevereiro. Representando a escola com três equipes, os estudantes alcançaram marcas superiores a 200 metros e conquistaram medalhas de ouro.
A participação nacional foi resultado do desempenho dos adolescentes na primeira Olimpíada de Lançamento de Foguetes da Olavo Bilac (OLAF), realizada em maio do ano passado. Na etapa escolar, os foguetes atingiram até 220 metros garantindo medalhas na OBAFOG e o convite para representar a escola em uma competição que reuniu estudantes de instituições públicas e privadas do Brasil inteiro.

O projeto
A iniciativa surgiu em 2024, quando a professora de ciências Bruna Hamann, incentivada por outra professora, decidiu preparar os estudantes para a OBA, que desafia alunos a projetar e lançar foguetes feitos com garrafas PET, movidos a água e ar comprimido.
“No começo, chamei apenas alguns alunos no contraturno, só quem realmente tinha interesse. Eram sete estudantes. Na época, se o foguete chegasse a 20 metros, já era motivo de comemoração”, conta Bruna. Ainda assim, o grupo conseguiu alcançar a metragem mínima exigida e participou, em dezembro de 2024, de uma etapa fora do município, com apoio da prefeitura.
Com os bons resultados e o entusiasmo dos alunos, o projeto ganhou força e passou a integrar oficialmente a rotina da escola. Em maio do ano seguinte, nasceu a primeira Olimpíada Interna de Lançamento de Foguetes da Olavo Bilac, batizada de OLAF. Todos os nonos anos participaram.
Cada equipe precisou construir um foguete utilizando garrafas PET de dois litros, além de coifa, aletas e um sistema de lançamento seguro. Os resultados surpreenderam: duas equipes ultrapassaram a marca de 200 metros, chegando a 220 metros de distância. O desempenho garantiu medalhas de prata na etapa oficial da OBAFOG e o convite para representar a escola na fase nacional.
Além do aprendizado técnico, como aprender aerodinâmica, centro de massa e pressão, o projeto trouxe ganhos pedagógicos importantes. “Eles se engajam mais, aprendem a trabalhar em grupo e desenvolvem o sentimento de pertencimento. Foram os primeiros alunos do OLAF, o nome deles vai ficar marcado na história da escola”, avalia Bruna.

A participação na OBAFOG
Em 4 de fevereiro, seis alunos viajaram ao Rio de Janeiro para quatro dias de intensa programação: Isabel, Gabriel, Kaike, Kauã, Lucas e Tobias. O evento incluiu oficinas, palestras, lançamentos e troca de experiências com estudantes de todo o país. Na competição, todos os foguetes que ultrapassaram 200 metros receberam medalha de ouro. Se considerada a classificação geral, a equipe da Olavo Bilac ficou em 13º lugar.
A professora de inglês, Gabriela Steinert, também auxiliou no projeto e usou a disciplina para diversificar o conhecimento: “os alunos produziram vídeos sobre o projeto em português, inglês e alemão”, conta.
O destaque foi o lançamento que atingiu 272 metros, um grande avanço comparado aos primeiros testes do projeto. “É um processo. A gente aprende errando, testando e ajustando. Todo mundo foi aprendendo junto”, explica a professora Bruna.
Para os alunos, a experiência foi marcante. Gabriel Fabian, de 15 anos, conta que o projeto despertou o espírito esportivo no grupo: “a gente ficou nervoso, mas muito empolgado. No final, todo mundo comemorou junto, inclusive alunos de outras escolas.”
Kaique Turinelli, de 14 anos, também ficou empolgado com a atividade inédita: “nunca tinha feito nada parecido. Construir um foguete e ainda ter a chance de ir para o Rio me motivou muito.” A estudante Isabel Holdorf da Silva, de 15 anos, lembra a emoção de quando conquistou a vaga para o campeonato nacional: “a gente não tinha expectativa nenhuma. Quando saiu o resultado, foi choro e alegria. No Rio, deu medo, mas quando o foguete lançou, foi um alívio enorme.”

A pressão da competição deixou os estudantes apreensivos, mas em momento nenhum pensaram na desistência. Kauã Leite, também de apenas 15 anos, relata: “foi muita pressão, mas quando vi o foguete subir, senti um peso sair das costas. Foi minha primeira viagem de avião também.”
Os resultados do projeto inovador na cidade motivaram os alunos e professores, que pretendem continuar incentivando os jovens a construírem foguetes e desenvolverem o conhecimento e criatividade através da ciência aplicada.
































