Um dos bens mais preciosos do mundo, a água, tem se tornado cada vez mais escasso e fundamental, tanto para aqueles que vivem no campo quanto na cidade. E preservá-la para as gerações futuras tem se transformado em uma missão para todos. Em Pomerode, um exemplo simples de pequenas ações que podem mudar o nosso entorno vem da localidade de Ribeirão Souto, na propriedade rural de Arno Strelow.

Há mais de seis anos, o aposentado implantou, em uma das nascentes do sítio, o sistema de proteção de fonte no modelo Caxambu. A sugestão, na época, veio da engenheira agrônoma e extensionista da Epagri em Pomerode, Eneide Barth. “Essa é uma técnica utilizada já há muito tempo pela Epagri e surgiu na década de 1980, juntamente com o projeto de Microbacias, na cidade de Caxambu do Sul. Desde então, o modelo tem sido replicado em várias propriedades por todo o estado.”
Segundo Eneide, a proposta tem muitas vantagens, entre elas a facilidade e baixo custo para implantação, permitindo um maior aproveitamento do manancial de água, dispensando a limpeza periódica da fonte, diminuindo a turbidez da água em épocas de chuva e a possibilidade de contaminação bacteriológica. “Os materiais são muito baratos e fáceis de encontrar, sem contar que depois de implantado a manutenção é praticamente nula”, ressalta.
Benefícios reforçados também por Arno, que garante só ter melhorias na propriedade desde que instalou o sistema. “Do outro jeito, sempre incomodava muito, caiam folhas dentro, às vezes não vinha água e quase toda semana tínhamos que subir pra fazer manutenção. Agora, com a proteção Caxambu, não. A água enche os reservatórios de forma constante, é de uma qualidade muito boa e vem sempre fresquinha.”
Mas não é apenas a disponibilidade e qualidade da água que será usada na propriedade, mas também a melhoria e condições das nascentes e a garantia da preservação de ecossistemas. “Quando falamos de proteção de fonte, não podemos deixar de mensurar que a sua proteção é aquela que teve também toda a sua floresta do entorno protegida. E essa preservação ambiental ao redor da fonte permite que a água penetre no solo e abasteça o lençol freático, que são as águas subterrâneas”, expõe Eneide.
Uma forma de assegurar o acesso à água também por aquelas pessoas que não têm o privilégio de ver a água nascendo no quintal de casa. “Eu acho que o que eu faço aqui é bom pra todo mundo, porque se as coisas continuarem como estão eu acho que vai começar a faltar água e as pessoas terão que pagar muito caro por ela”, reconhece Arno.
Uma ação que para a extensionista da Epagri não deve ser trabalhada de forma isolada, mas que deve ser replicada em outras localidades e potencializada com outras atividades.

“Quando falamos em boas práticas no campo, queremos também falar sobre cultivo em nível, o plantio direto, a cobertura de solo, as adubações verdes e todas aquelas práticas que visam diminuir a erosão e agregar matéria orgânica ao solo, que é um grande armazenador de água. Então, precisamos aperfeiçoar boas práticas que complementam a proteção de fonte. Propriedades que adotam essas ações estão contribuindo para essa preservação e armazenagem de água, tanto a convencional na caixa ou reservatório quanto aquela ambientalmente mais perene, que é a armazenagem no solo, uma forma de proteger e perpetuar a disponibilidade de água em quantidade e qualidade para todos.”
Você sabe como é implantada a proteção de fonte no modelo Caxambu?
A técnica foi desenvolvida pela Epagri em um trabalho conjunto entre extensionistas, o geólogo Mariano José Smaniotto, a prefeitura de Caxambu do Sul e agricultores da cidade de Caxambu do Sul na década de 1980. Nela, a estrutura é feita com canos fixados dentro de um tubo de concreto, de modo que ele tenha quatro ou cinco saídas. Assim, haverá uma saída para o cano-ladrão, na parte superior e uma para o cano de limpeza, na parte inferior, além dois ou três canos para a saída da água, na parte central do tubo.
Esse tubo de concreto deve ser instalado em uma vala aberta no local da nascente e assentado com massa de barro e concreto. Logo acima, coloca-se uma camada de pedra-ferro até cobrir totalmente a estrutura. Na sequência, vêm camadas de cascalho, brita e terra, além da vedação, que pode ser feita com lona plástica ou saco de ráfia, depois completada com terra até o nível original do solo. Importante é que área de entorno da fonte fique isolada com cerca e toda a vegetação no entorno seja mantida.
































