Caso Valenthina: Polícia Civil confirmou que professor e menina pretendiam fugir juntos para Curitiba

Ele responderá por estupro de vulnerável, cárcere e sequestro para fins libidinosos e fraude processual; entenda o caso

Na manhã dessa segunda-feira, dia 28, a Polícia Civil deu mais detalhes sobre o caso da menina de 12 anos que foi encontrada no domingo, dia 27, após ter desaparecido na noite de sexta-feira, dia 25.

O trabalho das forças de segurança iniciou ao meio-dia de sábado, dia 26, e terminou por volta das 21h30min de domingo, após interrogatório ao suspeito e entrevista da psicóloga policial à menina.

Com a conclusão dessa parte da investigação, o delegado de Pomerode, Antonio Godoi, informou que o professor envolvido no caso responderá por três crimes: estupro de vulnerável, cárcere e sequestro para fins libidinosos e fraude processual.

Professor demonstrou surpresa ao ser abordado pela polícia no primeiro contato

Através da coleta e análise de dados, a investigação levou a evidências de que a menina estaria na casa do professor, em Testo Rega. A Polícia Civil esteve no local e conversou com ele ainda na tarde de sábado.

No primeiro momento, ele se mostrou surpreso e disse que não via a menina há dias. Ele estava nervoso e, com isso, levantou ainda mais suspeitas, motivo pelo qual a Polícia Civil representou pelo mandado de busca na residência.

Cão ajudou a encontrar vestígios da menina na casa do professor

Com a ordem judicial em mãos, os policiais contaram com a ajuda de um cão farejador. Inicialmente, os policiais foram até a casa do pai da menina para que o animal identificasse o odor dela nas roupas.

No entanto, ao chegar à casa do suspeito, ele não estava mais no local. Mesmo assim, o cão identificou o cheiro da jovem, apontava principalmente para a cama, onde estava uma mochila dela, com roupas.

No primeiro momento, os policiais acharam que era esse o cheiro que o cão havia reconhecido. Porém, mais tarde, descobriram que ela estava escondida dentro da estrutura da cama box.

O suspeito havia retirado os pés da cama e serrado as grades de sustentação do colchão em metade da estrutura. Lá, havia espaço para que a menina ficasse, sem que pudesse ser vista, uma vez que sem os pés e com as tábuas laterais não era possível vê-la.

Foto: PRF/Divulgação

Menina saiu de casa por meios próprios

Conforme o suspeito contou aos policiais, ele se aproximou da menina em meados de maio desse ano. Durante as férias de julho, ela havia ficado de castigo e sem acesso ao celular. Para que ambos pudessem manter contato escondido do pai, o professor a emprestou um aparelho.

Depois disso, combinaram que ela fugiria de casa e ele a buscaria na rua. Depois, a menor ficaria na casa dele e o plano seria se mudarem juntos para a região de Curitiba, onde ele estava prestando um concurso público.

Tentativa de despistar a polícia

Logo após o desaparecimento da jovem, o suspeito fez uma postagem nas redes sociais pedindo para que, caso alguém tivesse informações, avisasse a polícia ou ele próprio.

Além disso, ao sair de casa na sexta-feira, ela deixou um bilhete dizendo que iria para Porto Alegre na companhia de outra menina, provavelmente uma orientação que recebeu do professor.

Por fim, após ter sido abordado pela Polícia Civil, ele tentou despistar a investigação ao sair de casa na madrugada de domingo, por volta das 5h30min, levando consigo o celular que havia emprestado a ela e o chip da menina.

Ele seguiu pela BR-470 até Navegantes, cidade onde ligou o aparelho e acessou alguns aplicativos. Depois, foi de carro até Joinville e jogou o celular no rio (conforme contou aos policiais).

Antes de sair de casa, acordou Valenthina e orientou que a menina se escondesse na estrutura da cama e ficasse quieta caso alguém entrasse na casa, mesmo que fossem da família.

Polícia desvenda o plano

Quando cumpriam o mandado de busca, os policiais encontraram não apenas a mochila com roupas, mas também o celular da menina. Diante da crescente preocupação, um alerta foi emitido para a busca pelo carro e pelo suspeito.

Enquanto isso, após se livrar do celular, o homem estava retornando para casa. No entanto, se deparou com a movimentação dos policiais em frente à residência e deu meia volta.

Seguindo novamente para Joinville, sem saber o que fazer, ele estava analisando as possibilidades, mas foi interceptado pela Polícia Rodoviária Federal antes que pudesse continuar.

O homem foi abordado, não resistiu e começou a colaborar com a polícia. Ele admitiu que a menina estava escondida no colchão e, com isso, conseguiram encontrá-la.

Foto: PRF/Divulgação

Até 24 anos de prisão

Pelos crimes aos quais responderá, o professor pode receber uma pena de até 24 anos de prisão. Até então, o homem de 55 anos, que possui mestrado em matemática, não tinha passagens pela polícia. Ele era professor das redes pública e privada de ensino há mais de 20 anos. Em Pomerode, era concursado e atuava há mais de um ano.

Coletiva

A coletiva de imprensa ocorreu na manhã desta segunda-feira, dia 28, na sede da Delegacia Regional de Blumenau. Estiveram presentes a delegada Regional de Blumenau, Juliana Tridapalli; o delegado da DIC de Blumenau, Rodrigo Raitez; o delegado de Pomerode, Antônio Godoi, e demais autoridades policiais que atuaram no caso.

Clique aqui e confira a coletiva completa.

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