Nos artigos anteriores percorremos o caminho do desenvolvimento catarinense – desde a colonização até o recente programa de “descentralização” que acabou por integrar todas as regiões – que faz de Santa Catarina hoje um estado diferenciado no país e também diante do mundo. No entanto, observamos que é hora de construir um novo projeto para os próximos 20 anos, missão do governador que assume em 2019.
E não há como vislumbrar esse projeto se ele não tiver entre seus alicerces dois setores que são vocações catarinenses: o turismo, que hoje já representa 12,5% do nosso PIB, e a Economia do Mar, que congrega os Recursos Oceânicos, Indústria Naval, Alimentos do Mar, além de Portos e Transporte Marítimo. Neste contexto, fundamental lembrar que Santa Catarina foi o projeto de industrialização autóctone mais bem-sucedido da América Latina: industrialização por conta própria, sem presença relevante de estatais e multinacionais.
Ao contrário, mostramos aqui que o Estado teve um papel indutor no desenvolvimento dos atores/empreendedores privados. Com a industrialização em maiores proporções na China e mesmo em estados brasileiros de mão de obra barata, o que o futuro reserva a SC é caminhar para a agregação de valor: a revolução tecnológica, digital, da estética, das artes, do bom gosto. Fator central é a conexão com o adensamento das cadeias produtivas ao Turismo. A produção associada, como é o caso da Economia do Mar, é uma evidência.
Também precisamos pensar já no planejamento do uso do nosso maior bem patrimonial: a Costa Catarinense, que necessita de urgente acomodação do Plano de sua ocupação. As vocações que disputam o litoral catarinense precisam ser pacificadas. Mata Atlântica, baías, praias, marinas, ecoturismo, cidades, portos, aeroportos, estaleiros, indústrias, todos buscam um lugar ao sol. Mas não temos plano para isso. Falo aqui como ex-secretário de Planejamento, consciente de que o que o investimento feito foi pontual e irrisório.
A questão da relação do turismo com a produção associada poderá ser redentora das serras catarinenses, do vinho e dos alimentos para muito mais longe, com chances de fazermos mais e melhor – e com mais originalidade do que Gramado e Canela. Estamos diante de uma revolução industrial de proporções desconhecidas, mas sabemos pelas milhares de startups que proliferam aqui que o espírito empreendedor catarinense está presente. A venda da Decora por U$S 100 milhões é emblemática.
O papel dos nossos governantes é, primeiro, o de entender o mundo, depois de perguntar ao povo catarinense sobre o que precisa para jogar o jogo, estabelecer prioridades, acelerar a indução e, sobretudo, garantir um ambiente sadio e juridicamente seguro. Depois é só confiar. Os catarinenses sabem fazer a sua parte.
Desenvolvimento e turismo em SC (4)
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