Uma cor, muitos significados

Pomerode é tomada pelo azul em dia especial pela conscientização sobre o autismo

Por: Redação TN

Foto: Laura Sfreddo
Na foto estão os alunos: Maria Luíza Teixeira Rocha, Nathan Henrique Mueller e Ryan Gabriel Staurachek, do 3º e 7º ano B.

A terça-feira, 20 de abril, ganhou tons de azul espelhados por Pomerode, a ação foi promovida através da Secretaria de Educação e Formação Empreendedora, com o objetivo de abranger o número máximo de pomerodenses. Por trás da cor está o intuito de levar informação sobre o autismo à população e, desta forma, contribuir para a redução do preconceito que envolve o assunto.

Várias escolas, centros de educação infantil, empresas e comércio aderiram à iniciativa, compartilhada também por meio das redes sociais com a hastag #PomerodeVesteAzul. Dentre as escolas que organizaram atividades especiais na data está a EBM Hermann Guenther. A data foi tão especial porque ao todo, a instituição de ensino conta com 15 alunos autistas matriculados no ensino regular.

A professora responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) é Carla de Oliveira, de 49 anos. Ela conta que dentre as atividades desenvolvidas estava o preparo para a decoração da escola em tons de azul, tendo como elemento principal o coração azul, símbolo desse ano. Outro item escolhido foram os balões, que oportunizam também uma maneira de inteiração entre os alunos, já que eles gostam de brincar com o objeto. “Fizemos também um painel na entrada, para que os alunos pudessem tirar fotos”, conta.


Laura Sfreddo/

Sobre o cotidiano dos estudantes autistas na escola, Carla explica que eles frequentam o ensino regular e praticamente todos contam com auxiliar de classe para ajudar no acompanhamento das aulas. Além disso, no contraturno eles contam com atividades específicas desenvolvidas ao lado de Carla, o período varia de duas a quatro aulas, dependendo do grau de autismo. Dentre as habilidades estimuladas está o diálogo, socialização e muitas outras. “É um trabalho gradativo, mas muito significante”.

Carla percebe que o autismo ainda gera preconceito na sociedade, mas isso vem sendo trabalhado. “A partir do momento em que o aluno autista entra na sala de aula é abraçado pela turma”. Ela conta sobre uma experiência vivenciada recentemente. “Eu tinha um aluno autista que não conseguia falar, então trouxe junto para o atendimento uma colega dele. Ela entendia tudo que ele queria dizer. Ou seja, pela convivência, pelo carinho e dedicação, ele falava do jeitinho dele e ela entendia”, compartilha.

A professora começou a se aprofundar sobre o tema para poder entender melhor os alunos autistas que estavam em sua sala de aula. Com o tempo, acabou se apaixonando e agora trabalha especificamente com o Atendimento Educacional Especializado. Experiência com a qual se sente realizada. “Geralmente na sala eles tinham que entrar no meu ritmo. Aqui não, eu entro no ritmo de cada um deles. Não posso ter pressa.”


Escola Hermann Guenther /Pomerode veste azul: ação se espalhou por empresas, escolas e comércio.

Dentre as conquistas de trabalhar com o AEE, está a possibilidade de acompanhar mais de perto a situação do aluno, conversando com os pais sobre a importância do acompanhamento médico na evolução dos estudantes. “Outra conquista é perceber que os pais estão começando a se conscientizar de que o seu filho ser diferente não é algo negativo, pode ser positivo. Tenho autistas que falam outras línguas, que desenham maravilhosamente. Eles têm muitas habilidades, o que falta para eles é a comunicação”, ensina.

A recompensa pelo trabalho é simples. “Não faço em busca de reconhecimento, isso tudo é para ver o sorrisinho no rosto deles”, finaliza. 

Imagens

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