Casal produz de forma orgânica grande parte dos alimentos que consome

Mudança de hábito foi implantada após o diagnóstico de uma doença degenerativa

É numa linda e espaçosa propriedade de Testo Alto que vive o casal Germano krahn, de 45 anos, e Liane Spredemann, de 52. Logo nos fundos da residência é possível perceber os canteiros repletos de temperos naturais e ervas para chás. Um pouco mais adiante nos deparamos com diversos animais, plantas frutíferas e hortaliças que espalham cor e exalam a tranquilidade do interior.

Mais do que impressionar pela beleza e organização, o local é o retrato vivo da mudança de hábitos que se tornou a grande aliada de Germano na luta contra uma doença grave.  

Germano foi diagnosticado com espondilite anquilosante, uma doença crônica e degenerativa que afeta a coluna e as grandes articulações. A longa caminhada iniciou pela dificuldade em encontrar o diagnóstico, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com os de artrose ou artrite reumatoide. Foi após uma consulta no Instituto Nacional de Cardiologia e Reumatologia, em Curitiba, que soube da condição que realmente o afligia.

Foto: Janaina Possamai

Junto com o diagnóstico, realizado em 2018, chegou também uma orientação responsável por alterar completamente os hábitos dele. “A médica me disse que precisaria passar longe de alimentos que tivessem hormônio, e de praticamente tudo que fosse comprado no mercado. No começo procurei por pequenos produtores locais, mas, com o tempo e a dificuldade, começamos a produzir nosso próprio alimento, sem agrotóxicos ou medicamentos”, explica ele.

O que começou como uma opção de tratamento, se transformou em um cotidiano de alegria e saúde. Atualmente, cerca de 200 animais vivem na propriedade, entre eles estão galinhas poedeiras, aves ornamentais e aves para corte. Além disso, há uma grande variedade de hortaliças, raízes e árvores frutíferas, como aipim, batata, limão, tangerina, pitaia, abacaxi e muitas outras. “Moramos em um paraíso, porque praticamente tudo que plantamos aqui cresce forte”, comemora Germano.

As ervas para chás também são um capítulo a parte, assim como os temperos naturais, que servem para dar ainda mais sabor aos quitutes preparados por Liane.

Aliás, Germano conta que devido às limitações que têm por conta da espondilite e também da osteoporose, que é hereditária, praticamente todo trabalho necessário para manter a propriedade funcionando é feito por Liane. “É graças a ela, que administra, planta, colhe e prepara os alimentos, que temos tudo”, ressalta.

Apesar da família ter ligação com Pomerode, Liane morou boa parte da juventude no interior do Alto Vale, por isso já conhecia bem as ferramentas necessárias para cuidar de uma propriedade rural. Ela e Germano trocam os conhecimentos que possuem, um ensina o outro e assim eles caminham lado a lado para que ao espaço ganhe cada dia mais vida. “Um ajuda o outro, vamos plantando e colhendo”, destaca.

Para eles, os benefícios conquistados vão muito além do produto que consomem à mesa. “Primeiramente é muito gratificando ver aquilo que planta, ou os animais que cria, crescendo fortes e saudáveis. Depois vem a qualidade de vida, eu cheguei a pesar apenas 60kg, hoje tenho aproximadamente 90Kg. Só quem me viu antes sabe o quão melhor estou. Essa mudança de alimentação fez uma diferença muito grande”, afirma Germano.

Foto: Janaina Possamai

Para Liane, andar com os pés descalços, pôr as mãos na terra e cuidar dos animais também são ótimas ferramentas para passar longe do stress.

Hoje Germano precisa tomar 10 tipos diferentes de remédios diariamente, além de intercalar outros quatro e tomar uma injeção quinzenal. Parece muita coisa, mas ele garante que eram muitos mais. “Passei anos praticamente deitado em uma cama, tive muitas internações e já tomei inúmeros remédios. Agora, estou vivendo o melhor ano da minha vida, não precisei ficar internado nesse período e diminuí a quantidade de medicação”, comemora.

Eles contam ainda que a produção é sobretudo para subsistência. Como a propriedade já começa a ficar conhecida, o casal estuda uma forma de atender as pessoas que desejam visitar, mas até o momento, essa fórmula ainda não foi definida. Enquanto isso, continuam a plantar saúde para colher qualidade de vida.

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